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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Macadâmia




O dia mal amanhecia e a fé de Maria triplicava.
O nome era forte como ela, Maria das Dores... Maria das flores, Maria das cores.
Maria nasceu com dons maravilhosos. Nasceu com o dom de amar, de acreditar, de cuidar, de doar. Passou de vida em vida com seu coração aberto levando a felicidade e a serenidade.
Era uma força suprema dessas que vento algum derruba. Mas, tendo Deus como seu melhor amigo, o que nesse mundo a poderia desamparar?
Decidida, honesta, fiel, amiga... Maria também era birrenta, fazia bico, virava os olhos. Não deixava ninguém entristecer os seus queridos. Maria era a advogada de tudo o que amava.
A vida lhe foi generosa... a ela foram proporcionados grandes anjos da guarda. Mas, nada mais justo! Deus cerca de cuidados as suas flores mais belas.
Engravidou-se do coração e, muito além de dar a vida, cuidou e transformou duas meninas em grandes mulheres. Através de seus exemplos e carinhos, Maria nos deixou um imenso tesouro... Maria nos deixou a continuação de seus trabalhos, de seus exemplos... Maria nos deixou dois pedacinhos de seu grandioso coração, suas filhas, Nilva e Telma.
As suas manias, as suas palavras, o seu colo, as suas risadas e abraços eram inigualáveis. Maria, em sua forma mais bonita, multiplicou-se e se instalou no coração de cada pessoa que teve o prazer de conhecê-la.
Hoje o “das Dores” é nosso, Maria. Hoje a saudade dos seus olhinhos apertados e sorridentes calam o nosso peito. Hoje, sentimos uma imensa saudade do seu cheiro de macadâmia e erva doce fazendo música pelo ar.
Hoje, mais do que nunca, temos certeza de que o seu amor foi infinito e belo. Hoje, sabemos que nos escuta daí, descansando ao colo do Pai. Hoje sabemos que o céu está em festa e que o jardim de Deus está mais colorido e belo.
Hoje continuaremos seus passos, hoje aumentaremos a nossa fé.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Alaranjado


Não há nada de amor a escrever, não houve poesia.
De repente se viu de saltos azuis, estava quase nua naquela sala.
No reflexo do espelho, via uma mulher bonita pela primeira vez. Via uma mulher sem medo, calma, determinada. Uma mulher que sabia que não seria ali, mesmo quando o corpo dele provocava. Fez tudo que pareceu lhe apetecer, dançou.
Em poucos instantes, já não via nada além de uma cor intrigante. Roçou no corpo dele, dançou por entre os móveis, mudou de lugar. Correu os olhos e as mãos por todas as partes, que eram sempre da mesma cor. 
Mais tarde, percebeu que aquele tom não chegou a cativar, e que o abraço não a prendeu. Se viu correndo, mas sem saber porque. Esperou mais um pouco, queria ouvir. O ruído da voz que ele não tinha, não a agradou. Ela esperava mais dos carinhos e olhares.
Se viu ali, de saltos azuis, quase nua naquela sala... mas apenas viu a si, tão bonita e doce, que contentou-se com os seus próprios olhos sorridentes refletidos, e entendeu que poderia dançar e amar o quanto quisesse, se aquilo a tornasse verdadeiramente mulher.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O dia seguinte


Colocava aquele nariz colado no meu. Abraçava forte, roçando todas as partes, passando as mãos nos cabelos, me fazendo sentir o salgado de suas lágrimas caminharem pelo meu rosto até mergulharem na minha boca sempre semi aberta, respirando com dificuldade. Aquele era o seu jeito puro e sutil de consolar. Esquecia seu calor na minha pele, e soltava suas palavras soluçantes. Queria que eu sentisse seu coração acelerado de todos os dias, de todas as tardes, de todas as manhãs azuis. Colava em mim a sua graciosa máquina de dizer muito, e muito rápido. Me puxava pela mão quando as nuvens formavam imagens bonitas no céu e fazia promessas de pra sempre.
Hoje é o dia seguinte dos nossos tão tão felizes quatro anos, e o que se tem são os restos... Os resquícios de suas mãos, do seu calor, do seu olhar e lágrimas. Você foi em um dia assim e não mais voltou. E agora não existe mais a sua doçura em dizer muito, e muito rápido. Não existe mais o seu correr a ver as nuvens das manhãs azuis. Não existe mais o teu abraço apertado que me invadia a alma... não existe mais você em minha vida.
Hoje é o dia seguinte... um outro dia em que não terei você.